segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Registro das atividades que utilizam ábaco

Segue abaixo as atividades que utilizam ábaco, realizadas por um aluno do terceiro ano.

 
 
 
 
Registro após aplicação de atividade utilizando ábaco
A criança para quem foi proposta a atividade com ábaco afirmou que já havia visto um ábaco que pertencia a uma colega de classe, mas não sabia como utilizá-lo. Após conhecê-lo ela compreendeu seu funcionamento facilmente, e logo fez deduções, tais como: “quando tiver dez peças de unidades eu posso colocar uma peça nas dezenas”.
O “Jogo do nunca” proposto na atividade contribuiu para que a criança compreendesse as casas decimais e suas possibilidades no ábaco. Ao responder a primeira questão sobre o jogo na atividade, questão “a”, a criança já havia compreendido que quando reunir dez peças nas unidades, ela precisa trocar essas dez peças por uma nas dezenas, e ao responder por escrito, afirmou que “cada jogador tem que colocar 10 pinos nas unidades, dezenas e centenas”. Respondeu ainda que “a última poderá colocar um pino porque é a quantidade maior”, referindo-se à unidade de milhar, que reconheceu como a maior quantidade, e deduziu que pode-se colocar apenas uma peça no grupo de milhar porque nesse momento há um vencedor e o jogo está encerrado.
Ao responder a segunda questão, a criança compreendeu que o total de pontos obtidos correspondia ao total de unidades, e para responder as questões “b” e “c”, efetuou contas para chegar aos resultados esperados, e os alcançou com êxito, pois já dominava a operação necessária para a realização dos cálculos.
No preenchimento da tabela que precedeu a segunda questão, a criança não teve qualquer dificuldade em preenchê-la, observou o exemplo, compreendeu-o e logo preencheu a tabela corretamente.
Ao responder o item “a” da segunda questão, a criança seguiu o exemplo presente na atividade e resolveu o exercício de maneira correta, bem como o item “b” da segunda questão, que trazia a mesma proposta mas com números ainda não vistos na atividade.
A criança, aluno do terceiro ano do ciclo I do ensino fundamental, conseguiu realizar o proposto na atividade com êxito.
 
Perguntas sobre a representação dos números no ábaco
As seguintes perguntas têm o objetivo de propor reflexão sobre as possibilidades de representação do número solicitado no ábaco. São direcionadas à uma criança de 8 a 9 anos, que está no quarto bimestre do terceiro ano do ciclo I do ensino fundamental, já compreende o sistema de numeração decimal, já conhece o ábaco e já realizou atividades com ábaco.
Espera-se que o aluno use de seu conhecimento prévio sobre os números e as operações, faça reflexões e utilize seu raciocínio para responder as questões propostas.
1-    Como pode-se representar o número 471 no ábaco?
2-    Se somarmos duas dezenas à quantidade anterior, como representaremos o resultado no ábaco?
3-    Se subtrairmos três centenas do resultado que foi representado no ábaco depois da segunda questão, como ficarão as peças no ábaco agora?
4-    E agora, depois da terceira questão, quantas unidades preciso somar para  representar o número 198 no ábaco?


Atividades que utilizam o ábaco.


Atividades que utilizam o ábaco para compreensão das casas decimais.

Jogo do “nunca 10”

1 ábaco de pinos com peças de quatro cores (10 de cada cor) por grupo.

2 dados por grupo.

Regras:

1.    Cada jogador lança os dois dados e soma os pontos obtidos (cada ponto no dado vale uma unidade). Em seguida, pega a quantidade de peças correspondentes a esse valor na cor da ordem das unidades. Quando se acumularem 10 peças no pino da unidade (U), o jogador deve retirá-las e trocá-las por 1 peça na cor da dezena, que será colocada no pino seguinte (D). Se a soma dos pontos nos dados passar de 10, as peças restantes continuarão em U. em seguida, passa o ábaco para o outro jogador, que prosseguirá com o mesmo processo.

2.    Quando um jogador completar 10 peças no pino das centenas (D) deverá trocá-las por uma peça da cor das centenas e colocá-la em C.

3.    Quando um jogador completar 10 peças no pino das centenas ©, deverá trocá-las por uma peça da cor do milhar e colocá-la em UM. O jogo termina quando um jogador ocupar primeiro o pino da unidade de milhar (UM).
 
As figuras representam três momentos do jogo da turma da classe. O jogo se estendeu até a 4ª ordem, ou seja, até o 4º pino do ábaco. Analise esses momentos e responda às perguntas.


 


a)    Qual é o maior número de peças que cada jogador pode colocar em cada pino de ábaco? Por quê?


b)    Quantas peças verdes foram necessárias para chegar ao registro do 2º momento?


c)    Quantas peças verdes foram necessárias para chegar ao registro do 3º momento?
Complete a tabela representando os pontos dos outros dois momentos do jogo.
 
Você pode observar os pontos do 1º momento de duas maneiras diferentes:
 
a)    Represente os outros momentos do jogo da mesma forma.
2º momento:
3º momento:
b)    Em seu caderno, faça o mesmo com os numerais:
 
·         2 396
·         5 035
·         3 240
·         4 900


Ábaco


Na medida que foi se complicando e aumentando o tamanho dos cálculos, sentiu-se a necessidade de um instrumento para auxiliar neste processo, surgindo assim o ábaco.

O ábaco é considerado a primeira máquina de calcular criada pelo homem. Segundo alguns historiadores foi inventado na Mesopotâmia, e depois sofreu alterações pelos chineses e romanos.

O surgimento do ábaco está relacionado ao desenvolvimento dos conceitos de contagem. Ele era usado pelos romanos para resolução de cálculos.

No ábaco, cada pino corresponde a uma ordem ou posição do sistema de numeração decimal, sendo que o primeiro da direita para esquerda representa a ordem da unidade, e assim por diante representam as ordens da dezena, centena, unidade de milhar e assim por diante.

Seguindo o sistema indo-arábico, de base 10, cada vez que agrupamos 10 unidades em pino, devemos retirá-las e trocá-las por outra peça, que será acrescentada no pino seguinte (à esquerda).
Diferentes tipos de ábaco:

Ábaco Chinês - Suanpan:
 

Ábaco Romano:
Ábaco Japonês- Soroban
 
Ábaco Russo - Schoty

 
Ábaco Escolar
 

 
 
 

domingo, 14 de outubro de 2012

A História dos Números


Mais ou menos há 10.000 anos, o homem começou a modificar bastante o seu sistema de vida. Em vez de apenas caçar e coletar frutos e raízes, passou a cultivar algumas plantas e criar animais. Era o início da agricultura, graças à qual aumentava muito a variedade de alimentos de que podia dispor. E para dedicar-se às atividades de plantar e criar animais, o homem não podia continuar a deslocar-se de um lugar para outro como antes. Passou então a fixar-se num determinado lugar, geralmente nas margens de rios e cavernas e desenvolveu uma nova habilidade: a de construir sua própria moradia.

Começaram a surgir as primeiras comunidades organizadas, com chefe, e divisão do trabalho entre as pessoas.

O trabalho de um pastor primitivo era muito simples. De manhã bem cedo, ele levava as ovelhas para pastar. À noite recolhia as ovelhas, guardando-as dentro de um cercado. Mas como controlar o rebanho? Como ter certeza de que nenhuma ovelha havia fugido ou sido devorada por algum animal selvagem? O jeito que o pastor arranjou para controlar o seu rebanho foi contar as ovelhas com pedras. Assim:

Cada ovelha que saía para pastar correspondia a uma pedra. O pastor colocava todas as pedras num saquinho. No fim do dia, à medida que as ovelhas entravam no cercado, ele ia retirando as pedras do saquinho. Que susto levaria se após todas as ovelhas estarem no cercado, sobrasse alguma pedra!

Esse pastor jamais poderia imaginar que milhares de anos mais tarde, haveria um ramo da Matemática chamado Cálculo, que em latim quer dizer contas com pedras.

Por volta do ano 4.000 a.C., algumas comunidades primitivas aprenderam a usar ferramentas e armas de bronze. Aldeias situadas nas margens de rios transformaram-se em cidades. A vida ia ficando cada vez mais complexa. Novas atividades foram surgindo, graças, sobretudo ao desenvolvimento do comércio. 

Os agricultores passaram a produzir alimentos em quantidades superiores às suas necessidades. Com isso algumas pessoas puderam dedicar-se a outras atividades, tornando-se artesãos, comerciantes, sacerdotes, administradores, entre outros. 

Como consequência desse desenvolvimento surgiu a escrita. Era o fim da Pré-História e o começo da História.

Os grandes progressos que marcaram o fim da Pré-História verificaram-se com muita intensidade e rapidez no Egito. 

Mas como efetuar cálculos rápidos e precisos com pedras, nós ou riscos num osso?

Foi partindo dessa necessidade imediata que estudiosos do Antigo Egito passaram a representar a quantidade de objetos de uma coleção através de desenhos – os símbolos.

A criação dos símbolos foi um passo muito importante para o desenvolvimento da Matemática.

Na Pré-História, o homem juntava 3 bastões com 5 bastões para obter 8 bastões.

Hoje sabemos representar esta operação por meio de símbolos, mas como eram os símbolos que os egípcios criaram para representar os números?

Há mais ou menos 3.600 anos, o faraó do Egito tinha um súdito chamado Aahmesu, cujo nome significa “Filho da Lua”. Aahmesu ocupava na sociedade egípcia uma posição muito mais humilde que a do faraó: provavelmente era um escriba. Hoje Aahmesu é mais conhecido do que muitos faraós e reis do Antigo Egito. Entre os cientistas, ele é chamado de Ahmes. Foi ele quem escreveu o Papiro Ahmes.

O papiro Ahmes é um antigo manual de Matemática. Contém 80 problemas, todos resolvidos. A maioria envolve assuntos do dia-a-dia, como o preço do pão, a armazenagem de grãos de trigo, a alimentação do gado. Observando e estudando como eram efetuados os cálculos no Papiro Ahmes, não foi difícil aos cientistas compreenderem o sistema de numeração egípcio. Além disso, a decifração dos hieróglifos – inscrições sagradas das tumbas e monumentos do Egito – no século XVIII também foi muito útil.

·         Um traço vertical representava 1 unidade;
 
·         Um osso de calcanhar invertido representava o número 10 unidades;
 
  • Um laço valia 100 unidades;
 
  • Uma flor de lótus valia 1.000 unidades;   
 
·         Um dedo dobrado valia 10.000 unidades;
 
·         Com um girino os egípcios representavam 100.000 unidades;
 
·         Uma figura ajoelhada, talvez representando um deus, valia 1.000.000 unidades.




Quase tudo o que sabemos sobre a Matemática dos antigos egípcios baseia-se em dois grandes papiros: o Papiro Ahmes e o Papiro de Moscovo. O primeiro foi escrito por volta de 1.650 a.C. e tem aproximadamente 5,5 m de comprimento e 32 cm de largura. Foi comprado em 1858 por um antiquário escocês chamado Henry Rhind. Por isso é conhecido também como Papiro de Rhind. Atualmente encontra-se no British Museum, de Londres. O Papiro de Moscovo é uma estreita tira de 5,5 m de comprimento por 8 cm de largura, com 25 problemas. Encontra-se atualmente em Moscovo. Não se sabe nada sobre o seu autor.

A técnica de calcular dos egípcios

Com a ajuda deste sistema de numeração, os egípcios conseguiam efetuar todos os cálculos que envolviam números inteiros. Para isso, empregavam uma técnica de cálculo muito especial: todas as operações matemáticas eram efetuadas através de uma adição. Por exemplo, a multiplicação 13 * 9 indicava que o 9 deveria ser adicionado treze vezes.

13 * 9 = 9 + 9 + 9 + 9 + 9 + 9 + 9 + 9 + 9 + 9 + 9 + 9 + 9

Os egípcios eram realmente muito habilidosos e criativos nos cálculos com números inteiros. Mas, em muitos problemas práticos, eles sentiam necessidade de expressar um pedaço de alguma coisa através de um número.
E para isso os números inteiros não serviam.

Descobrindo a fração

          O rio Nilo atravessa uma vasta planície e uma vez por ano, na época das cheias, as águas do Nilo sobem muitos metros acima do seu leito normal, inundando uma vasta região ao longo das suas margens. Quando as águas baixam, deixam descoberta uma estreita faixa de terras férteis, prontas para o cultivo.Desde a Antiguidade, as águas do Nilo fertilizam os campos, beneficiando a agricultura do Egito. Foi nas terras férteis do vale deste rio que se desenvolveu a civilização egípcia. Cada metro de terra era precioso e tinha de ser muito bem cuidado.

Sesóstris repartiu estas preciosas terras entre uns poucos agricultores privilegiados.
          Todos os anos, durante o mês de Junho, o nível das águas do Nilo começava a subir. Era o início da inundação, que durava até Setembro. Ao avançar sobre as margens, o rio derrubava as cercas de pedra que cada agricultor usava par marcar os limites do terreno de cada agricultor. Usavam cordas para fazer a medição. Havia uma unidade de medida assinalada na própria corda. As pessoas encarregadas de medir esticavam a corda e verificavam quantas vezes aquela unidade de medida estava contida nos lados do terreno. Daí, serem conhecidas como estiradores de cordas. No entanto, por mais adequada que fosse a unidade de medida escolhida, dificilmente cabia um número inteiro no lado do terreno. Foi por essa razão que os egípcios criaram um novo tipo de número: o número fracionário. Para representar os números fracionários, usavam frações.

As complicadas frações egípcias

Os egípcios interpretavam a fração somente como uma parte da unidade. Por isso, utilizavam apenas as frações unitárias, isto é, com numerador igual a 1. Para escrever as frações unitárias, colocavam um sinal oval alongado sobre o denominador. As outras frações eram expressas através de uma soma de frações de numerador 1. Os egípcios não colocavam o sinal de adição - + - entre as frações, porque os símbolos das operações ainda não tinham sido inventados. No sistema de numeração egípcio, os símbolos repetiam-se com muita frequência. Por isso, tanto os cálculos com números inteiros quanto aqueles que envolviam números fracionários eram muito complicados. Assim como os egípcios, outros povos também criaram o seu próprio sistema de numeração. Porém, na hora de efetuar os cálculos, em qualquer um dos sistemas empregados, as pessoas esbarravam sempre em alguma dificuldade.
           Apenas por volta do século III a.C. começou a formar-se um sistema de numeração bem mais prático e eficiente do que os outros criados até então: o sistema de numeração romano.

Contando com os romanos

De todas as civilizações da Antiguidade, a dos romanos foi sem dúvida a mais importante. O seu centro era a cidade de Roma. Desde a sua fundação, em 753 a.C., até ser ocupada por povos estrangeiros em 476 d.C., os seus habitantes enfrentaram um número incalculável de guerras de todos os tipos. Inicialmente, para se defenderem dos ataques de povos vizinhos; mais tarde nas campanhas de conquista de novos territórios.
         Foi assim que, pouco a pouco, os romanos foram conquistando a península Itálica e o restante da Europa, além de uma parte da Ásia e o norte de África.

Apesar de a maioria da população viver na miséria, em Roma havia luxo e muita riqueza, usufruídas por uma minoria rica e poderosa. Roupas luxuosas, comidas finas e festas grandiosas faziam parte do dia-a-dia da elite romana. Foi nesta Roma de miséria e luxo que se desenvolveu e aperfeiçoou o número concreto, que vinha sendo usado desde a época das cavernas. Como foi que os romanos conseguiram isso?

 

O sistema de numeração romano

Os romanos inventaram símbolos novos para representar os números; usando as letras do alfabeto.

I V X L C D M
O sistema de numeração romano baseava-se em sete números-chave:

I tinha o valor 1.

V valia 5.
X representava 10 unidades.
L indicava 50 unidades.
C valia 100.
D valia 500.
M valia 1.000.

Quando apareciam vários números iguais juntos, os romanos somavam os seus valores.

II = 1 + 1 = 2
XX = 10 + 10 = 20
XXX = 10 + 10 + 10 = 30

Quando dois números diferentes vinham juntos, e o menor vinha antes do maior, subtraíam os seus valores.

IV = 4 porque 5 - 1 = 4
IX = 9 porque 10 – 1 = 9
XC = 90 porque 100 – 10 = 90

Mas se o número maior vinha antes do menor, eles somavam os seus valores.

VI = 6 porque 5 + 1 = 6
XXV = 25 porque 20 + 5 = 25
XXXVI = 36 porque 30 + 5 + 1 = 36
LX = 60 porque 50 + 10 = 60

Em primeiro lugar buscavam a letra de maior valor.

M = 1.000

Como antes de M não tinha nenhuma letra, buscavam a segunda letra de maior valor.

D = 500

Depois tiravam de D o valor da letra que vem antes.

D – C = 500 – 100 = 400

Somavam 400 ao valor de M, porque CD está depois e M.

M + CD = 1.000 + 400 = 1.400

Sobrava apenas o V. Então:

MCDV = 1.400 + 5= 1.405

Os milhares

O número 1.000 era representado pela letra M. Assim, MM correspondiam a 2.000 e MMM a 3.000. E os números maiores que 3.000? Para escrever 4.000 ou números maiores que ele, os romanos usavam um traço horizontal sobre as letras que representavam esses números. Um traço multiplicava o número representado abaixo dele por 1.000. Dois traços sobre o M davam-lhe o valor de 1 milhão. O sistema de numeração romano foi adotado por muitos povos, mas ainda era difícil efetuar cálculos com este sistema. Por isso, matemáticos de todo o mundo continuaram a procurar intensamente símbolos mais simples e mais apropriados para representar os números. E como resultado dessas pesquisas, aconteceu na Índia uma das mais notáveis invenções de toda a história da Matemática: O sistema de numeração decimal.

Afinal os nossos números

Os números que usamos (1,2,3,4,5,6,7,8,9,0) são chamados "números árabes" para se distinguirem dos "números romanos" (I,II,III,IV,V,VI,VII,VIII,IX,X).

           Então porque razão o “1” significa "um", “2” significa "dois“, e assim por diante?
           Vamos observar:
           -Quantos ângulos tem cada um deles?

           Se escrever o número na sua forma primitiva, verá que:

O número 1 tem um ângulo.
O número 2 tem dois ângulos.
O número 3 tem três ângulos.
E o "0" não tem ângulos.

Os números racionais

Com o sistema de numeração ficou fácil escrever qualquer número, por maior que ele fosse.

0 13 35 98 1.024 3.645.872

Como estes números foram criados pela necessidade prática de contar as coisas da natureza, eles são chamados de números naturais. Os números naturais simplificaram muito o trabalho com números fracionários. Não havia mais necessidade de escrever um número fracionário por meio de uma adição de dois fracionários, como faziam os matemáticos egípcios. O número fracionário passou a ser escrito como uma razão de dois números naturais.

A palavra razão em matemática significa divisão. Portanto, os números inteiros e os números fracionários podem ser expressos como uma razão de dois números naturais. Por isso, são chamados de números racionais. A descoberta dos números racionais foi um grande passo para o desenvolvimento da Matemática.

 

As possibilidades de intervenções do professor de crianças que estão no processo inicial da construção do conceito de número

 A criança constrói o conhecimento matemático por meio das relações vivenciadas por ela no espaço em que vive.
        O conhecimento matemático não se limita apenas à aprendizagem de cálculos e técnicas, mas está relacionado à oralidade, que faz necessário, no nosso caso, o uso da língua portuguesa, pois ela serve como caminho entre o pensamento e as representações, mantendo a ligação entre ideia e palavra, entre escrita e compreensão e para que haja a comunicação do raciocínio lógico-matemático aprendido pela criança.
        Nas séries iniciais do ensino fundamental, deve-se ter como estratégias principais o uso de jogos e resolução de problemas, pois por meio deles há maior facilidade em aprender o conteúdo trabalhado.
        Cabe ao professor planejar e elaborar situações que envolvam números, raciocínio, cálculos de forma significativa para os alunos.
        Para se ter um bom trabalho que envolva situações problemas, faz-se necessário trabalhar com situações que envolvam o cotidiano das crianças, utilizando diversas formas de representação (desenho, gráficos, material concreto, como por exemplo: palitos), para que ocorra uma aprendizagem significativa, uma vez que não basta trabalhar com o lúdico, pois é preciso que cada atividade proposta pelo professor tenha uma intenção pedagógica, que colabore na construção de novos conhecimentos dos alunos.
        O professor precisa provocar seus alunos, instigá-los a novas descobertas, precisa partir daquilo que já faz parte do meio ao qual o aluno pertence e questioná-lo a fim de novas percepções, de acordo com sua faixa etária. Esse procedimento permitirá que o aluno faça descobertas, comparações, organize seu pensamento e situe-se espacialmente, expressando suas conclusões.
        Com ações planejadas e contextualizadas que considerem o conhecimento prévio das crianças, o professor conseguirá desenvolver suas competências matemáticas e linguísticas.
        Os conceitos matemáticos fazem parte de diversas experiências que as crianças vivem em seu dia-a-dia, em diferentes espaços; cabe ao professor identificar os momentos nos quais é possível realizar uma intervenção para associar esses conceitos às situações de forma clara para as crianças, evidenciando a relação dos conceitos matemáticos à prática na situação que está ocorrendo, por exemplo, quando um grupo de crianças deseja dividir entre eles uma determinada quantidade de peças de um brinquedo de montar: A partir dessa situação, o professor já poderá trabalhar de maneira bastante significativa a adição, a divisão... Essa abordagem prática permitirá que os alunos se familiarizem mais facilmente com a matemática, percebendo-a como algo real e concreta, para então conceber o conceito do abstrato.
        O professor deve trabalhar com seus alunos de modo que eles percebam a diferença entre as letras e os números e as funções dos números: localização, identificação, ordenação, quantificação. Tudo isso pode ser trabalho com conceitos do cotidiano dos alunos: a localização do endereço da escola, a ordem das salas de aulas ou das carteiras na classe, a identificação dos números do telefone da escola, a quantidade de alunos na sala de aula.
        É importante também mostrar a função do número zero, a diferença que ele proporciona estando à esquerda ou a direita de um número, presente na adição ou na multiplicação de um problema, e em diversas outras situações, eliminando assim a ideia de que o zero nada significa ou jamais denota algum valor.
        O professor pode propor trabalhos coletivos, sendo o escriba da turma, explorando as representações que os alunos propõem: a escrita, a pictórica, a numérica ou o uso combinado entre elas.
        Utilizando-se de diversas estratégias e intervenções, o professor, enquanto mediador na interação dos alunos que estão construindo novos saberes terá fundamental papel no processo inicial da construção do conceito de número, e a cada elucidação, a cada descoberta, gradativamente os conceitos matemáticos serão compreendidos pelos alunos e eles passarão a perceber a presença da matemática nas diversas situações do seu cotidiano, descobrindo o sentido de utilizar os números para representar esses conceitos, fazendo real uso da matemática como uma competência comunicativa e de pensamento nas mais diversas situações.